quarta-feira, 25 de março de 2009

Um segundo

Foi somente quando ela diminuiu as luzes, acomodou suas partes no prumo dos lençóis, olhou-me com sensualidade adquirida a poucos contos e reunida na enérgica curiosidade dos que se conhecem na esquina de trás (e que nunca irão se conhecer) que ela veio em movimentos lentos, veio se rindo toda por dentro e por um rastro de segundo foi me perguntando Quer dizer que você gosta de gordinhas? foi só então que eu percebi o engano de aparentar compreensão.
Olhei as notas. O meu senso prático e organizado em exposição permanente. Empilhadas, eram duas notas graúdas dispostas na cabeceira da cama que eu avistava atrás de seus ombros paquidérmicos. O tempo, eu tinha pouco tempo; do teatro, pouco sabia.
Foi um segundo rápido a percorrer galerias, incitar muitas perguntas e outras tantas dúvidas, e poucas culpas, tudo solto em minha cabeça, tudo rodando dentro de um rosto que espera, o olhar preso na parede e na resposta deste que olha e não vê, deste que vê e tem a sensação de que está sozinho e de que nada havia naquele quarto além das promessas pagas em duas notas.
Elas me foram suficientes.

2 ComentÁrios:

Blogger Aureo Marcus Makiyama Lopes said...

Muito bom Edgar, gostei mesmo; tem uma aura indefinível que paira em torno da cena. um abraço.

quinta-feira, 26 março, 2009  
Blogger fao Carreira said...

gostei muito......desse segundo que revela mundo
abraço

domingo, 05 abril, 2009  

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